
Maio
Tema: um Chick-Lit.
Livro reserva: Ela Foi Até o Fim - Meg Cabot
Nem acredito, mas consegui ler dois livros para o desafio de Maio!
Na minha lista oficial havia apenas
Melancia e nenhum livro reserva, mas utilizando minhas regalias de colaboradora Saraiva, acabei tendo acesso a mais um chick-lit para o desafio. E o melhor de tudo é que consegui lê-lo praticamente todo num dia só, a tempo de postar a resenha no mês certo. *orgulho*
Não teria como eu ter programado
Ela Foi Até o Fim da Meg Cabot, pois quando fechei a lista, este livro sequer havia sido lançado. Mas tudo bem, está valendo, porque o tema é certo (é definitivamente um chick-lit) e o livro oficial foi lido e resenhado no prazo. Sem contar que nunca é demais ler a mais, não é? :D
Vamos então para a resenha:
Ela Foi Até o Fim é um livro de Meg Cabot, conhecia autora de séries de teen chick-lits, como Diário da Princesa, A Mediadora e vários outros títulos avulsos; este foi meu primeiro Meg Cabot. O livro lido saiu pelo selo Galera da Editora Record, especializado em literatura
young adult no mês de abril, mas a edição original (
She Went All the Way) data de 2002.
O livro conta a história de Lou Calabrese, uma famosa roteirista de Hollywood numa aventura gelada no Alasca. A sequência de um de seus filmes de ação de maior sucesso está sendo gravada em Myra, no Alasca, e Lou se vê forçada a viajar para o set e convencer o diretor Tim Lord a abandonar a ideia original de explodir uma mina abandonada como parte das aventuras do detetive Pete Logan, cedendo às pressões de ambientalistas locais.
A caminho do set, Lou se vê presa a uma situação desagradável: terá que viajar de Anchorage para Myra no mesmo helicóptero que Jack Townsend, ator que interpreta Pete Logan. Jack, que já protagonizara outros filmes de Lou, caíra nas desgraças da moça ao mudar uma das frases do roteiro e criar um bordão próprio para seu persoangem. Um bordão que não havia sido criado por Lou, a "dona" do personagem. A frase "Preciso de uma arma maior" caiu na boca do público, deixando Lou com o orgulho ferido.
Se não bastasse, todos os jornais de celebridades estavam publicando a notícia de que o ex de Lou Calabrese, Bruno di Blase, estava se casando com a ex de Jack Townsend, Greta (alguma coisa). Roteirista e ator famosos uniriam forças para lidarem juntos com a humilhação pública? Bem, os dois se odeiam, eu disse.
A caminho do set, ambos são surpreendidos por uma tentativa de assassinato contra Jack ali mesmo, dentro do helicóptero. A isso se segue uma história de perseguição que agora incluía a incrédula Lou Calabrese, por estar no lugar errado e na hora errada. O avião cai, os dois se salvam, fogem, passam por maus momentos juntos e em meio a brigas acabam passando uma noite inesquecível um nos braços do outro.
A certo ponto, contrariando as expectativas, após dois dias perdidos pelas florestas geladas do Alasca, os dois conseguem voltar ao hotel em segurança, mas um novo problema surge: afinal, quem é que está querendo assassinar Jack? E por quê? É um fato que o leitor só descobre lá pelas últimas 50 páginas do livro.
A leitura foi no começo sem graça. Mas depois surpreendente e por fim, sem graça. Eu diria que o começo confunde, pois a autora apresente mil personagens num espaço muito curto de tempo, talvez ao longo das 15 primeiras páginas. Quando a história se concentra em Lou e Jack fugindo, as coisas ficam melhores, mas o estilo da narrativa a meu ver é pobre, não sei explicar direito. Estilo entretenimento barato, sabem?
Levei um susto quando a autora começou a descrever as cenas de sexo um tanto graficamente. Não é por ser casta nem nada, mas achei que era o tipo de cena que não cabe tão bem num livro
young adult. Quer dizer, pelo menos não costumo ver cenas de sexo oral descritas com certo nível de detalhe num livro voltado para um público mais jovem. Geralmente os autores dão aquela disfarçada, economizam nos detalhes e deixam para a imaginação de quem quiser para não se comprometerem.
Tudo bem, entendo que o Galera busca um público ligeiramente mais velho que o Galera Record, voltado para o público adolescente mesmo (
É só dar uma olhadinha na abertura do site do selo para ver os públicos alvo), mas mesmo assim. Se eu tivesse escolhido o livro apenas pela linha editorial do selo, tinha levado um susto maior ainda, porque para literatura adulta, a Record tem outros selos. Vários, aliás. E a própria Meg Cabot assina como Patricia Cabot na sua literatura adulta.
Enfim, o conteúdo do livro é o que eu tenho em mente como literatura jovem mesmo, mas achei algumas coisas um pouco incoerentes com o resto,
that's all. Vou sair recomendando o livro lá na livraria para alguém de, digamos, 16 anos assegurando aos pais preocupados que não tem nada impróprio no livro? Não posso. É isso que eu penso quando digo que se o conteúdo dos livros estivesse totalmente adequado àquilo a que o selo se propõe, facilitaria muito a minha vida na loja.
No fim das contas, assim como em Melancia, não achei o livro bom, mas também não ruim. Fiz a proeza de ler cerca de 350 páginas num dia só, o que serve de prova de que o livro não era detestável (se bem que eu tentei ler rápido para poder devolvê-lo hoje, meu prazo limite). Algumas partes, como comentei de leve, foram interessantes, apesar de serem bastante previsíveis. Quem nunca viu o casal que briga, briga e depois se casa apaixonadamente?
Aliás, não gostei do final no estilo de "e eles viveram felizes para sempre". Muito menos com a estrutura de parágrafos curtos como pequenos epílogos de filme, contando o que aconteceu com cada um dos personagens depois do fim da história.
E num último comentário sobre o título: ridículo. Ele é tradução quase que literal do título original, mas o original já era ridículo antes.
E a conclusão conclusiva é a de que acho que o livro nunca foi lançado para ser uma leitura pretenciosa e, nesse aspecto, cumpre o papel. A questão é que, apesar de cansar de ler vários títulos do que eu chamaria de "entretenimento barato", tendo a valorizar mais as leituras mais pretenciosas do que essa, digamos assim. E mesmo na linha do "entretenimento barato", já li livros bem melhores e com trama mais envolvente.
Daria umas duas estrelas e meia (de 5).